Dedicado às mulheres inteiras e ativas de todas as idades, cores e formas. Mulheres que interagem e abraçam a vida como der, puder e vier.
Sempre desejadas!








Ser avó é muito bom....

Minhas amadas Inteirativas,
Amanhã meu neto fará 3 aninhos, quero dividir com vocês o presente que Deus me deu no dia 23/08/2005. Gustavo é uma criança linda e saudável e mesmo se fosse feio e pouco saudável eu iria amá-lo da mesma forma. Amigas posso afirmar no alto dos meus 49 anos ser avó é ter outro olhar para você mesma, ser mais generosa com suas imperfeções, se permitir mais, se doar mais...
E para comemorar o niver do Gustavo vou dar um lindo presente pra vocês, um pedaçinho de um lindo texto da belíssima Raquel de Queiroz.

A ARTE DE SER AVÓ
Netos são como heranças: você os ganha sem merecer. Sem ter feito nada para isso, de repente lhe caem do céu. É, como dizem os ingleses, um ato de Deus. Sem se passarem as penas do amor, sem os compromissos do matrimônio, sem as dores da maternidade. E não se trata de um filho apenas suposto, como o filho adotado: o neto é realmente o sangue do seu sangue, filho de filho, mais filho que o filho mesmo...Cinquenta anos, cinquenta e cinco... Você sente, obscuramente, nos seus ossos, que o tempo passou mais depressa do que esperava. Não lhe incomoda envelhecer, é claro. A velhice tem as suas alegrias, as suas compensações — todos dizem isto embora você pessoalmente, ainda não as tenha descoberto — mas acredita. Todavia, também obscuramente, também sentida nos seus ossos, às vezes lhe dá aquela nostalgia da mocidade. Não de amores nem de paixões: a doçura da meia-idade não lhe exige essas efervescências. A saudade é de alguma coisa que você tinha e lhe fugiu sutilmente junto com a mocidade. Bracinhos de criança no seu pescoço. Choro de criança. O tumulto da presença infantil ao seu redor. Meus Deus, para onde foram as suas crianças? Naqueles adultos que hoje são seus filhos, que têm sogro e sogra, cônjuge, emprego, apartamento a prestações, você não encontra de modo nenhum as suas crianças perdidas. São homens e mulheres - não são mais aquelas crianças que você recorda. E então um belo dia, sem que lhe fosse imposta nenhuma das agonias da gestação ou do parto, o doutor lhe põe nos braços um menino. Completamente grátis — aquela criancinha da sua raça, da qual você morria de saudades, símbolo ou penhor da mocidade perdida. Pois aquela criancinha, longe de ser um estranho, é um menino que lhe é "devolvido". E o espantoso é que todos lhe reconhecem o seu direito de o amar com extravagância; ao contrário causaria escândalo e decepção se você não o acolhesse imediatamente com todo aquele amor recalcado que há anos se acumulava, desdenhado, no seu coração. Sim, tenho certeza que a vida nos dá os netos para nos compensar de todas as mutilações trazidas pela velhice. São amores novos, profundos e felizes que vêm ocupar aquele lugar vazio, nostálgico, deixado pelos arroubos juvenis. Aliás, desconfio muito de que os netos são melhores que namorados, pois que as violências da mocidade produzem mais lágrimas do que enlevos.

3 comentários:

Anônimo disse...

Amiga Valéria voce foi fundo no sentimento de todas as avós. Eu me senti muito a vontade dentro de seu texto.É issso aí....
Parabens ao seu netinho e um mundo melhor para ele.

Sônia disse...

Valéria

Parabéns para o seu neto Gustavo!
Ainda saberei um dia o prazer de ser avó.
bj
Sônia

Mônica Angeleas disse...

Querida Valéria,
Acompanho de perto sua luta para ser uma avó "Inteira e Ativa". Parabéns pro seu Guga pelo aniversário e pela AVÓ que ele tem.
Bjs