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“A cultura é o que salva a humanidade”

Queridos amigos e amigas, Estou compartilhando uma entrevista que dei para Alessandro Lo-Bianco, do blog “Entrevistando” e repórter da Editora Abril na sucursal Rio. Essa entrevista revela um pouco o que penso e o que sou, mas o melhor é o final, eu acho. Ofereço com meu afeto, para vocês a quem tenho muito afeto. Vou dividir com quem esse meu contentamento? Beijos de alegria, Claudia Alencar

“A cultura é o que salva a humanidade”

Cláudia Alencar conta como o colégio, a faculdade e a busca pela cultura foram essenciais para uma vida mais feliz

Atriz, poetisa, artista plástica e também escritora. Essa é Cláudia Alencar, que não esquece o papel que a educação teve em sua vida para que se tornasse hoje uma artista realizada. Bacharel e Pós-Graduada em Teatro pela Escola de Comunicação e Artes (ECA) da Universidade São Paulo (USP), Cláudia lecionou Artes Cênicas durante cinco anos para todas as séries do ensino fundamental e médio, ministrando mais tarde a disciplina a nível universitário pelas Faculdades Metropolitanas Unidas. A atriz fez todos os créditos do Doutorado, mas não apresentou a tese porque, segundo ela, havia chegado a hora de subir aos palcos e alcançar o “Vôo da sua alma”, no teleteatro da TV Cultura.

Cláudia, que também se dedica a ações de combate à hanseníase, conta que a vida acadêmica agregou ainda mais valores à sua carreira artística. Por isso, em paralelo a 32 trabalhos na televisão, 23 no teatro e mais oito no cinema, a publicou cinco livros: dois de pesquisas teatrais e três de poesia. “A vida acadêmica me deu senso de disciplina, capacidade de organização, ferramentas para pesquisa, concentração e alargou meu mudo cultural”, explica artista, que revela por meio dessa entrevista um pouco mais sobre a importância da formação educacional em sua vida.

Junto ao desejo de ser atriz você também sempre pensou em dar aulas?

Fiz o professorado porque tive medo de não me tornar independente financeiramente como atriz, que era o meu sonho desde criança, junto ao desejo de ser bailarina, dançarina e poeta. Tive medo de não sobreviver (risos).

Seus pais apoiavam a escolha de ser atriz?

Meu pai era sociólogo e não me deixou fazer o vestibular para Escola de Comunicação e Artes (ECA). Tive que fazer escondida com a ajuda da minha mãe. Por influência do meu pai comecei fazendo Ciências Sociais, mas larguei no terceiro ano.

Conte melhor como foi isso...

Depois do ginásio quis ingressar direto na formação de atriz. Lembro que meu pai me deu um tapa na cara e disse: “Você não é uma menina sem modos e nem uma mulher sem personalidade, por isso, não vai ser atriz, vai fazer sociologia.” Isso revela o preconceito da época, mesmo para um homem tão esclarecido como ele. Então realizei meu sonho ainda com medo, receio, indo para outros caminhos, mas que foram fundamentais para minha formação.

Você acha que, de certo modo, o ginásio no colégio direcionou sua vocação artística?

Acho que sim, porque fiz na Escola Oswaldo Aranha, que na época tinha um ginásio moderno e único na época. Passávamos o dia todo lá com aulas inusitadas além das tradicionais. Tive artes plásticas, teatro, música clássica, ginástica, artes industriais, economia doméstica, muita coisa diferente! Isso ajudou a desenvolver todo meu lado humano e a despertar todo lado artístico que eu tinha.

Você acha que antigamente o jovem tinha um direcionamento vocacional maior na escola?

Sim, hoje temos o GVIVE e, com ele, tentamos fazer com que o estudo volte a ser nos padrões vocacionais. Estamos tentando e, um dia, vamos colocar todos os nossos jovens o dia inteiro na escola para aprenderem que a vida não é só essa matemática, sem a experiência do viver.

E hoje, depois de ter mergulhado no bacharelado, na especialização e no Doutorado? Como você avalia esse caminho percorrido em sua vida?

Hoje vejo que o colégio, a faculdade e os estudos como um todo me deram instrumentos para que eu fosse mais feliz em minha vida. Os livros só mudam nossos defeitos e acrescentam qualidades, pois a cultura ameniza e remove as dores.

Você acha que a leitura de um bom livro pode mudar uma pessoa?

Sim, os livros e a cultura mudam nosso comportamento. Uma boa leitura pode nos deixar mais felizes e aflorar nosso melhor. É possível mudar padrões viciosos de comportamento ao ler mestres e seus largos pensamentos sobre o ser humano. Por isso, escrevo todos os dias como forma de me renovar, limpar meu lixo e revelar minhas luzes.

Você já publicou alguns livros e adora poesia. Virá um novo livro pela frente?

Estou finalizando meu ultimo livro de poesias que provisoriamente se chamará DELICADEZAS e que está uma gostosura de fazer, bem como será de ler.

Você acredita que o incentivo à cultura pode alavancar de vez nosso País?

Acho que nascemos puros e vamos nos tornando mais imperfeitos pelas imposições sociais. A cultura então é quem vai resgatar essa pureza que ficou aprisionada na infância. A cultura é o que salva a humanidade. Ela e a educação são como Cristo, Budha e Ghandi, que nos trazem mais para perto do nosso verdadeiro ser.

Qual recado você deixa para fecharmos essa matéria?

Coitado do povo que tem um governo que não prioriza a cultura. Um povo sem cultura não é um povo feliz. Aos poucos, se suicida.

Príncipe ou cinderela?


Jornalistas lançam guia bem humorado para as mulheres descobrirem se têm mesmo um homem para chamar de seu

Por Sônia Araripe*
Foto: Divulgação/Cris Lacerda

A mulher veste um pretinho chique para festa, faz uma escova básica e a primeira pergunta que o seu “ficante” lhe pergunta é aquele vestido “des-lum-bran-te” é Prada. Em outra situação, o rapaz forte da academia acaba virando seu namorado. E um dia, depois de muito se olhar no espelho, pergunta para a namorada se ela não acha que ele precisa de uma boa lipoaspiração. Estas e outras situações devem acender o sinal amarelo. Em tempos de Copa, podem até render cartão vermelho. O tão sonhado príncipe pode ser, na verdade, uma cinderela. A partir do depoimento real de uma executiva – batizada com o nome fictício de Sofia, que se descobriu casada com um gay enrustido - as jornalistas Consuelo Dieguez e Ticiana Azevedo resolveram escrever um guia para ajudar mulheres – e, porque não, também os moçoilos ainda dentro do armário – a descobrirem de que lado estão. O recém-lançado Cuidado! Seu príncipe ou pode ser uma cinderela, da Editora BestSeller, Grupo Editorial Record (208 págs, R$ 19,90), já entrou na lista dos mais vendidos da Revista Veja. E despertou o interesse de quem deseja ver a ideia transformada em filme.


Mas seria mais um best-seller de auto-ajuda? “Digamos que seja uma auto-ajuda bem humorada. O livro dá dicas das mais óbvias às mais sutis para as mulheres identificarem um gay no armário. Sim, porque tem muita mulher que não enxerga até os sinais mais aparentes de que aquele deus que ela paquera é gay”, conta Ticiana. O livro dá dicas, mas o objetivo, advertem as autoras, não é deixar leitores neuróticos para descobrir quem é príncipe ou cinderela. Divorciada, sempre bem-humorada, Ticiana dá uma gargalhada solta quando conta que já paquerou alguns belos mancebos que descobriu serem gays. Se transformaram em amigos. Consuelo, casada há 15 anos com um príncipe, adverte que não há receita milagrosa. “Não há homem ideal, assim como também não há mulher ideal. Temos que encontrar parceiros sabendo que os príncipes, às vezes, viram sapos e depois voltam a ser príncipes.” Como boas apuradoras, as jornalistas ouviram vários depoimentos – de gays, de heteros, de médicos, de professores de academias, etc - para construir este divertido livro. A seguir confira a entrevista de Consuelo e Ticiana.

***

Como surgiu a ideia de escrever o livro?
Consuelo Dieguez
- Nós, de vez em quando, falávamos dessa questão de gay no armário já que muitas amigas e conhecidas viviam reclamando de terem conhecido homens maravilhosos que, no final, eram gays. A Ticiana mesmo, há uns seis anos, estava interessada em cara que ela desconfiava que fosse gay. Ela me pediu que eu fosse com ela num almoço para conhecer o tal paquera. Eles ficaram amigos e ele acabou contando que era mesmo gay. Mas o que deslanchou o projeto foi o encontro, no ano passado, com uma executiva conhecida nossa, que nos contou que, após sete anos de casada, descobriu que o marido era gay. Ela, que no livro aparece com o nome fictício de Sofia, nos perguntou se não gostaríamos de escrever sua história. Nós topamos na hora. Achamos que é um tema super atual.

O tom do livro é engraçado ou é do tipo "auto-ajuda"?
Ticiana Azevedo
- Digamos que seja uma auto-ajuda bem humorada. Como a própria Sofia contou sua história de forma super bem humorada (hoje ela já deu a volta por cima), nós achamos que a melhor maneira de abordar esse tema que é dramático para os dois lados -- tanto para a mulher quanto para o gay no armário -- era de uma maneira leve e divertida. O livro dá dicas das mais óbvias às mais sutis para as mulheres identificarem um gay no armário. Sim, porque tem muita mulher que não enxerga até os sinais mais aparentes de que aquele deus que ela paquera é gay.

Contaram com a ajuda de quem "viveu" situações parecidas para fazerem o livro como se fosse um guia?
Consuelo e Ticiana
- Depois das conversas com Sofia nós fomos fazer nossas "pesquisas" de campo. Ouvimos mulheres que viveram essa situação, gays, ex-gays no armário, heteros, médicos, psicólogos, professores de academia de ginástica, promoter de boates gays, modelos que saem com gays que precisam de uma mulher ao lado como disfarce e mais um monte de palpiteiros. Incrível, todas as vezes que falávamos que estávamos escrevendo um livro sobre o assunto, sempre tinha alguém com uma história para contar. Por isso, todos os depoimentos e situações narradas no livro são reais. Apenas trocamos os nomes das pessoas.


E devem também ter ouvido muitos relatos de como está cada vez mais difícil mesmo para mulheres lindas, como vocês, encontrar um príncipe de verdade?
Consuelo
- Eu já estou casada há 15 anos com meu príncipe, que não é cinderela. Ticiana é divorciada e já topou com uns gays enrustidos, mas não chegou a namorá-los porque percebeu a tempo a armadilha. Mas acho que encontrar o príncipe é difícil para todas nós. Mesmo porque, nenhum homem é principe o tem todo. Homem ideal não existe, assim como não existe a mulher ideal. Acho que temos que encontrar parceiros sabendo que os príncipes, às vezes, viram sapos e depois voltam a ser príncipes. O complicado é quando eles são cinderelas e usam as mulheres para disfarçar sua opção sexual. E isso parece que tem sido cada vez mais frequente.

Diante do sucesso, já pensaram em um desdobramento do lançamento?
Ticiana
- No momento nós estamos focadas na divulgação do nosso livro. Mas já recebemos propostas para transformar o livro em filme. Essa é uma idéia que nos empolga bastante.

Depois que lançaram, tiveram muitos retornos de mulheres confirmando que há mesmo muitos príncipes que são cinderelas?
Consuelo e Ticiana
- Muita gente nos deu retorno relatando experiências parecidas com as relatadas no livro. Outro dia, fizemos um evento numa livraria no Rio, e várias mulheres vieram nos procurar para contar suas histórias. Outras queriam que respondessemos se seus maridos ou namorados eram ou não gays. Bom, esse tipo de consultoria nós não damos. (risos) Apenas damos as dicas. Cada uma, usando o seu bom senso, é que tem que chegar a conclusão se seu príncipe é ou não uma cinderela. Sim, e é bom lembrar, que apesar das nossas dicas, sempre existem exceções.

Nestes tempos modernos, tiveram também algum retorno de quem tenha confessado ter uma cinderela em casa e ser muito feliz?
Consuelo e Ticiana
- Olha, até topamos com situações como essas. Mulheres que escreveram que já se relacionaram com gays e foi ótimo. Mas isso vai da cabeça de cada um, não é?

Na linha do "politicamente corretos", chegaram a receber alguma crítica de ONGs que defendem os homossexuais? Afinal, ser gay é natural, o difícil é sair do armário.

Consuelo
- Não ouvimos nenhuma crítica de ONGs e nem de movimentos gays. Já sofremos alguns ataques isolados de alguns gays. Mas é incrível. Pelos comentários que fazem, essas pessoas sequer leram o livro e tiraram suas conclusões por causa de uma ou outra nota de jornal. O livro não tem nada contra gays, pelo contrário. Nossa crítica é ao gay enrustido. Tanto que chamamos o jornalista Gilberto Scofield, um gay assumidissimo, nosso amigo, para escrever o prefácio do livro. E ele mesmo critica o comportamento dos enrustidos. Considera não só covardia, como um grande egoísmo o cara não se assumir e arrastar uma infeliz junto com ele. O mais legal é que temos tido retorno de ex-gays enrustidos que nos contaram, com muito humor, que se identificaram com várias situações vividas no livro. Muitos gays assumidos, que já estiveram no armário, nos disseram que, antes de lerem o livro, pensavam que poderia ser algo ofensivo aos gays e que descobriram, após a leitura, que o livro não só é elogioso aos que têm coragem de se assumir, como um estímulo para os enrustidos saírem do armário. Para pararem de fingir, de sofrer e de fazer outras pessoas sofrerem.

*Jornalista, é casada com o mesmo “príncipe” – quase “santo” - por lhe aturar por exatos 20 anos. Editora de Plurale em revista e Plurale em site, com foco em Sustentabilidade. E-mail: soniaararipe@plurale.com.br. Publicada inicialmente em Balaio de Notícias.

AS MULHERES DE BRANCO


Teatro Candido Mendes. Rua Joana Angélica 63, Ipanema,Rio de Janeiro telefone 2267-7295. Quinta a sábado, às 21h. Domingo, às 20h. R$ 40,00. Classificação etária: 12 anos. Temporada: de 30 de abril a 4 de julho de 2010. Duração: 70 min. Meia entrada para estudantes, idosos, professores da rede publica e para advogados que apresentarem a carteira da OAB.


Uma noiva que não acredita no amor

Uma médica sem vocação profissional

Uma mãe de santo que não tem fé


Casei por amor, sou jornalista e graças a Deus nunca vi alma desencarnada, mas me identifiquei com as três. E como foi divertido!

O universo feminino todinho lá, cada detalhe, hilário. E o mais irônico, a peça foi escrita e interpretada pelo Celso André (um homem) e dirigida pelo Alcemar Vieira (outro homem).

Será que eles finalmente nos compreenderam?

Imperdível!!!!!! Pra quem estiver no Rio, hoje tem!!!!


Aqui vai uma entrevista exclusiva com o ator e autor da peça.

Com a palavra Celso Andre


Como surgiu a ideia de escrever a peça ? Há quanto tempo?
Sempre convivi muito com mulheres. Tenho uma irmã gêmea, ou seja, desde a barriga da minha mãe as mulheres são grandes companheiras. E com essa convivência pude observar e constatar muitas diferenças entre o universo masculino e feminino. E como sou comediante sempre lanço um olhar cômico e bem humorado pra vida e assim nasceu o desejo de explorar os dramas da mulher contemporânea em um espetáculo de teatro. Esse desejo surgiu há oito anos quando dividia apartamento com uma grande amiga psicóloga e passávamos horas em casa conversando sobre as diferenças entre os dois universos: masculino e feminino.


Por que o universo feminino?
Sou apaixonado pelas mulheres. Elas são muito mais fortes e corajosas que nós homens, mas sem deixar de serem sonhadoras e românticas. Elas conseguem administrar várias coisas ao mesmo tempo. A casa e os filhos, o trabalho e ainda encontram tempo para sonhar e idealizar muitos desejos. Acho isso incrível. Precisava como artista escrever sobre isso. Esse espetáculo é uma homenagem a elas.


Por que essas 3 personagens(médica, mãe de santo e noiva) e não outras?
Eu queria falar da mulher atual, que busca a felicidade na sua vida pessoal, profissional e espiritual. E a primeira personagem que surgiu foi a noiva que fala dos desejos pessoais em relação a vida em família e a idealização do casamento. Logo em seguida para falar do lado profissional surgiu a médica e do lado espiritual veio a mãe de santo. Quando comecei a refletir sobre o tema, surgiu também intuitivamente esse titulo “As Mulheres de Branco”. E a base para desenvolver o discurso e as questões que exploro no espetáculo veio de experiências próprias e de muita observação. Eu venho de uma família de médicos incluindo minha irmã gêmea, sou espiritualista e um profundo estudioso das religiões afro-brasileiras além ser um eterno apaixonado, romântico e sonhador.


Você sempre soube que era um monólogo?
Não, nunca passou pela minha cabeça que seria um monólogo. Escrevi originalmente para três atrizes e eu iria dirigir. E cheguei a fazer leituras abertas ao público com atrizes lendo as personagens. Uma grande atriz e amiga, a Dani Barros, que eu convidei no início do projeto para fazer a noiva, depois de uma longa conversa me convenceu que eu deveria fazer as três. Dani é uma referência para mim, começamos juntos e a admiro muito então refleti e aceitei o conselho. Ela me deu um “puxão de orelha” e disse (risos) : “Celso essa peça é você. Você tem que fazer as três. Pare de ser medroso aceite e suba logo no palco com elas.” E assim fiz (risos).


Quanto tempo de ensaio?
O processo de ensaio levou dois meses. Muito intenso, divertido e desafiador. Quem dirigiu o espetáculo foi outro grande artista e amigo-irmão: Alcemar Vieira. Somos amigos há mais de 20 anos, começamos juntos num grupo formado no tablado chamado “ Troglô” o qual a Dani também fazia parte. Nos trancamos numa sala de ensaio por dois meses e nos jogamos no espetáculo. Alcemar foi um parceiro nesse projeto incrível. Me dirigiu com muita firmeza e propriedade e por nos conhecermos muito, ele soube explorar o melhor do meu trabalho além de criar e desenvolver a ação dramática do espetáculo com maestria e muito talento. Toda a concepção artística do espetáculo é dele incluindo a trilha sonora. Queria um diretor para me jogar de braços abertos e ser conduzido à cena de forma natural, instintiva e verdadeira. E o Alcemar soube fazer isso brilhantemente. Essa peça é um encontro muito bonito entre nós.


Você compreende as mulheres?
Cada vez mais. E essa peça me ajudou a compreende-las mais ainda. Eu amo as mulheres. E quando se ama de verdade você compreende, penso assim. Os corações se põem aberto para tal. E acredito que a cada noite sairei do teatro compreendendo mais. A experiência de fazer uma mulher sendo homem é muito forte pra mim, e como artista a compreensão da alma humana é o que me interessa. É o que eu busco.


Quando raspou a cabeça e porque?
A idéia surgiu antes dos ensaios quando ainda elaborávamos o projeto. Um grande artista e amigo o Rui Cortez, sugeriu. Guardamos a sugestão e o Alcemar durante os ensaios no momento em que concebia a estética do espetáculo e junto comigo o caminho da criação dessas personagens pediu que raspasse com intuito de fortalecer a concepção da cena. Queríamos que o espetáculo tivesse além das três personagens a minha opinião masculina impressa no desenvolvimento delas. Por isso não faço travestido e nem busco uma estética realista feminina. E acreditamos que com a cabeça raspada o publico poderia olhar para elas através de mim. Sem referencias de perucas e penteados ou o meu próprio cabelo. O caminho de raspar o cabelo foi o de vestir as personagens com penteados e com cabelos que o publico pudesse individualmente imaginar. E mergulhar mais na alma dessas mulheres sem deixar de passar pelos homens. Acreditamos que assim o discurso proposto pelo meu texto ficaria mais contundente.

Serviço da peça:
Teatro Candido Mendes. Rua Joana Angélica 63, Ipanema, telefone 2267-7295. Quinta a sábado, às 21h. Domingo, às 20h. R$ 40,00. Classificação etária: 12 anos. Temporada: de 30 de abril a 4 de julho de 2010. Duração: 70 min. Meia entrada para estudantes, idosos, professores da rede publica e para advogados que apresentarem a carteira da OAB.

Inteirativas,
vocês acham que eles finalmente nos compreenderam?

PALOMA DUARTE

Conheci Paloma quando ela tinha 16 anos e eu 34. Ela tinha vindo morar no Rio de Janeiro para fazer sua primeira novela na TV Globo (Renascer em 1993), e eu havia acabado de me separar. Como vivia em uma casa, pensei em alugar um quarto, para ajudar nas despesas e, também, claro, para não me sentir tão sozinha.

Ao longo da nossa convivência, tive várias surpresas com ela. A começar pela forma como Paloma conduziu a negociação do aluguel do quarto. Pensei que a mãe dela iria entrar em contato para acertamos os detalhes do pagamento. Que nada, foi a própria Paloma quem me ligou. Muito segura, sabia exatamente o que queria: “prefiro dividir a casa, para me sentir melhor”. Moramos juntas por quase 3 anos e nesse período eu engravidei. Ela foi a primeira a saber, antes mesmo do pai do meu filho. Recebi dela uma força incrível!

Meu filho nasceu 14 dias antes do previsto e Paloma estava em SP. Quando eu cheguei da maternidade tinha um recado dela na secretária eletrônica. Ela havia acordado às 4h por causa de um sonho em que o Gustavo tinha nascido. E foi exatamente nesse dia e nessa hora em que ela sonhou, que meu filho chegou ao mundo.


Paloma e Gustavo, meu filho - 1993

Essa é a Paloma: sensível, participante, segura, alegre, com um sorriso iluminado e um magnetismo incrível. E, como vocês já puderam comprovar uma atriz de um talento prodigioso.

Até o nascimento de sua primeira filha, ainda mantínhamos contato. Eu fiz questão, e ela também, de fazer a malinha da maternidade. Depois ela voltou pra São Paulo, nossas vidas tomaram rumos diferentes e nos perdemos. Agora, nos encontramos de novo, graças à internet, melhor dizendo, ao Facebook.

Essa mulher é sempre um papo interessante. Tenho certeza que vão concordar comigo.

Nome: Paloma Duarte

Pai: O músico Antônio Marcos

Mãe: A atriz Débora Duarte

Avô: O ator Lima Duarte

Mãe de: Maria Luísa e Ana Clara

Profissão: Atriz

Trabalhos na televisão: 12 Novelas, 3 Minisséries e 3 Seriados;

4 peças de teatro e no cinema 6 filmes

Estado civil, Oswaldo Montenegro e Paixão..., andam juntos?

Oswaldo não anda junto com nada! Oswaldo é o caminho em si.Me deu os 6 anos mais belos que uma alma pode ter.

Ator x papel político na sociedade: Lula lá, ou nunca mais?

Votaria nele de novo. Não me arrependo. Mas essa teria que ser uma conversa mais longa....Mas não irei de Dilma, se ela for confirmada até lá...

Trabalho atual... A Record tem tudo a ver?

kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Estou feliz na Record, tenho bons papéis, trabalho com pessoas que admiro, e tenho uma relação profissional com a empresa de mútuo carinho e respeito.

Playboy, que sucesso aos 18 anos! Faria de novo?

Talvez....ia depender muito da proposta. Não só da financeira... Quando fiz, a revista ainda mantinha um conceito artístico sobre os trabalhos que iam além do nú... Havia um olhar artístico entrelaçado com o erotismo. Particularmente me espanta muito a idéia de que alguém pague tanto, só pra ver um corpo nú! Acho meio engraçado.

Prato predileto: Não vai me dizer que ainda é o Miojo...

Gargalhadas, é muito bom dar entrevista assim, rindo!

Feijoada

Doce preferido: Lembra da charlote da minha mãe?

A Charlote da sua mãe é imbatível... Continuo com ela.

Perfume: Você deixou de usar o Paloma Picasso durante minha gravidez; eu enjoava só de vê-lo... Tadinha... Você se "reconciliou" com ele?

Não... Mas foi um prazer parar de usá-lo por Gustavo e você!

Cantor: Já sei! rsrs

Sim, sem dúvidas Oswaldo! Um intérprete impressionante! As pessoas sempre comentam muito suas letras, que são lindas, mas amo o intérprete que ele é. Uma extensão vocal assustadora, uma capacidade de cantar qualquer coisa em qualquer estilo, que sempre me encantou.

Joe Coker, um homem sem medo de arrancar as próprias vísceras e oferecê-las com amor...

Chico Buarque de Holanda - ninguém me convence que esse homem não tem útero... sempre que escuto Chico, digo:Nossa, isso me lembra tanto uma fase de minha vida...Portanto, Chico me acompanha há 32 anos...

Lembro de mim, menina, e minha mãe colocando os discos (vinil) pra eu ouvir. Era dos raros momentos que a profissão dela nos permitia estar em casa. Era a hora da brincadeira, da intimidade...ela prendia os cabelos, os dela e os meus, ligava a vitrola..-Filha, presta atenção nessa letra. Ficávamos por horas ouvindo, dançando, comentando, Chico, Caetano, Gil...

Atriz: Nada de modéstia, hein?

Debora Duarte, meu maior referencial de liberdade cênica, de risco... O ator não pode ter medo do escuro, do abismo, do ridículo. Ela tem mestrado nessa queda livre!

Meryl Streep, Cate Winslet, Andrea Beltrão

Maternidade: Minha maior vocação, meu ofício mais prazeroso.


Time de futebol: São Paulo. Na minha família isso não é uma opção...Eu diria até que, hoje, já está no DNA. Embora eu seja uma paulistana renegada, minha alma é descaradamente carioca!

Filme "2 Filhos de Francisco": (Paloma fez o papel de Zilú, mulher de Zezé di Camargo)

Quando li esse roteiro, soube imediatamente, estava diante de algo grande. Um filme sobre a história de um homem, que se recusou a abrir mão da crença, do direito ao sonho, cercado por uma mulher, que lutaria diante de qualquer crueza da realidade pelo direito ao sonho dele...Seu Francisco é fogo!

Trabalhar com Breno foi uma delícia. Um diretor doce e firme. O elenco, a equipe, era de amigos muito queridos, e novos que fiz por lá. Foi um momento feliz.

Me satisfaz muito, a alma, quando a arte namora com o popular.Tenho muita preguiça da ideologia pré conceituada e cultuada ainda por tantos, de que arte e popularidade são antagônicas.

Todos dizem querer falar com o público, mas quando um filme vai lá e arrebenta essa linha divisória, as mesmas pessoas atacam, diminuem o valor do trabalho, ou pelo roteiro, ou pela estética, ou porque tem uma cara meio televisiva... Balelas.

O cinema está se reinventando, o público também, hoje vc pode fazer um filme em digital, com baixo orçamento, expressar suas idéias sem ser refém de uma empresa, o que é muito bom!

Trabalhos a serem lançados: O que você anda aprontando, garota?

Vou participar do longa Nota Preta do meu queridíssimo amigo Rafael Queiroga e do longa A Longa Noite De Cristal, com a direção de Gracindo Junior, companheiro e amor de sempre!

Ainda estou gravando a novela Poder Paralelo de Lauro Cesar Muniz que é definitivo como autor. Ler um texto de Lauro é viciante, é que nem livro, você é absorvido por aquelas linhas. Fazer uma personagem escrita por ele, me lembra todos os dias o porque de eu amar tanto essa profissão.

Devo fazer teatro ano que vem, segundo semestre, mas nada certo ainda. Estou lendo alguns textos. De todos os veículos, diria que o teatro é minha paquera mais difícil.

Fotos: Arquivo pessoal, Internet, IstoÉGente e Babado

ENTREVISTA


NOME: Solange de Paula

ESTADO CIVIL: Casada

MISSÃO: AMAR...

Moradora de Duque de Caxias, mãe de 2 filhos, há 20 anos Solange decidiu ampliar a família criando a Associação do Menor Abandonado e Recuperado (AMAR), um abrigo que recebe crianças de 3 a 13 anos órfãs, abandonadas, ou cujos pais não têm condições de criar ou perderam a guarda dos filhos por maus tratos.

Solange é natural pensar que em um abrigo como esse vamos encontrar crianças tristes, doentes, abatidas... Mas isso não é o que se vê, aqui, no AMAR. Como tornar um abrigo de crianças carentes em um lugar feliz?

Fazendo do abrigo um Lar, transmitindo muito carinho e amor para as crianças, levando-os a se sentirem amados como verdadeiros filhos.

Como tudo começou? Que idade você tinha, então?

Tudo começou quando vi um menino dormindo ao relento, com frio, sozinho sem uma família. Isto me comoveu muito, pois ele era ainda tão pequeno e indefeso, entregue a sua própria sorte. Pensei... não posso continuar aqui parada vendo esta cena e culpando o Governo por tal situação. Eu estava com 37 anos de idade, cheia de vigor para ajudar embora meus filhos ainda fossem tão pequenos quanto aquele menino.

Na época você tinha uma boa situação financeira?

Bem, a minha vida seguia normalmente, meu esposo tinha um emprego que nos dava uma condição de vida razoável, para os meus filhos nada faltava, morávamos no Rio de Janeiro no subúrbio de Coelho Neto.

Como seu marido reagiu a sua decisão?

No início foi um pouco difícil, acostumado a ter sua esposa em casa apenas cuidando da família, ficou muito preocupado com o fato de precisar dividir o tempo e a atenção com uma ação tão difícil como esta: AJUDAR AO PRÓXIMO COM AMOR!!!!

Quantas crianças no momento estão abrigadas no Lar?

No momento estão abrigadas no Lar 21 crianças.

Você tem ajuda governamental?

Atualmente não temos nenhuma ajuda do Governo.

As crianças sempre são encaminhas pelo Conselho Tutelar?

Sim, é sempre o Conselho Tutelar que encaminha as crianças órfãs, carentes, e em situação de risco social para o nosso Lar.

O que você achou da nova Lei da Adoção? Agora ficou mais fácil adotar?

Dentro do que observamos a nova Lei não deu melhores condições para a adoção, pelo contrário está ainda mais difícil principalmente quando se trata de irmãos.

O trabalho voluntário é muito importante na engrenagem do seu trabalho? Você tem muitos colaboradores e parceiros?

Sim, o trabalho voluntário é importantíssimo no Lar, porque não temos condições de manter funcionários devidamente remunerados. Os nossos colaboradores e parceiros ainda são poucos, porém com uma enorme vontade de cooperar e muito envolvidos com a causa, por conta disto as inscrições estão abertas para novos amigos e parceiros.

Você considera o Lar AMAR um trabalho ou uma missão?

Com toda certeza, uma MARAVILHOSA MISSÃO, que desenvolvo com muita alegria em meu coração e sinto que isto acaba envolvendo as pessoas que nos cercam, levando-as a fazer tudo com MUITO AMOR!!!

O que te motiva a continuar nessa luta?

São os frutos que colhemos ao cuidarmos destas crianças que, na adolescência, começam a aparecer, como por exemplo, o desempenho na Escola, a educação, o carinho e amor que demonstram não só por nós mais por todos os nossos amigos e colaboradores que nos ajudam. Por isto temos a alegria de destacar o nosso slogan: “LAR BENEFICENTE AMAR : Plantando a semente do amanhã”

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(O Lar AMAR - Associação do Menor Abandonado e Recuperado - fica em Duque de Caxias, baixada fluminense, RJ. É uma instituição sem fins lucrativos ou filiação política e tem sido mantida através de doações e de colaborações de voluntários nos seus 20 anos de existência).

Inimigos não Mandam Flores - entrevista com Cristina Prochaska


A entrevista Inteirativa de Setembro é com a nossa querida e talentosíssima atriz, Cristina Prochaska.

Paulistana de nascimento, carioca de coração e cidadã do mundo por opção.
Atriz, jornalista, radialista, produtora e...técnica de futebol.

No teatro, sua grande paixão, Cristina encenou e/ou produziu 23 espetáculos, como Mephisto, direção de José Wilker e Intensa Magia, de Maria Adelaide Amaral. Esta semana estreou no Rio a peça "Os Inimigos não Mandam Flores".


Cristina, quando você começou sua carreira como atriz?
Com 11 anos já fazia teatro amador no clube Pinheiros em São Paulo. Em 1981 fui contratada pela TV Bandeirantes onde trabalhei em várias novelas.


Mas você atuou como jornalista também, não?
Sim, fui também apresentadora na TV Bandeirantes e radialista na Band FM. Gosto muito de rádio e sinto falta até hoje. Na Band FM em 84, fiz um programa de rock "Momento Rock". Acho que adoraria poder fazer rádio de novo. Em 85 fui ser apresentadora do Programa de Domingo, na TV Manchete. Lá também fui produtora e dei continuidade a minha carreira de atriz.

Seu trabalho na Globo começou quando?
Em 1987 quando fui convidada para interpretar um dos principais personagens de Direito de Amar, de Walter Negrão. Com o sucesso da novela, engatei vários trabalhos e fiquei na emissora por quase 15 anos, atuando em novelas, minisséries, programas humorísticos. Mas na Globo também tive oportunidade de continuar fazendo locuções e reportagens especiais para o Fantástico e o Vídeo Show.

Como é o seu envolvimento com o cinema?
Já fiz mais de dez filmes de ficção e documentários e estendi minha participação apresentando, no Telecine, o programa Por falar em Cinema. Já fiz produção também quando produzi com Ricardo Pinto e Silva o longa "Querido Estranho".


Você morou fora do Brasil um tempo. Foi um projeto pessoal ou profissional? Como foi essa experiência?
Fiquei 4 anos na Califórnia. Opção pessoal , eu precisava reciclar, mudar, redirecionar minha vida. Eu sou meio cigana, busco o novo sempre, conheci meu (ex-) marido americano e fui...pois é. E fiquei bons anos por lá. Trabalhei como técnica de futebol e treinei times de vôlei femininos. Achei que seria importante para minha filha Nina (18 anos agora) sair um pouco daqui, achei que seria importante para ela esta experiência de uma cultura diferente, um país diferente, uma língua nova. E foi. Fiz por ela também.


Você também jogou futebol profissional?
Não. Mas sou torcedora profissional. São Paulina de carne, pele e osso. ROXA! Amo esse jogo. Assisto e acompanho o futebol.

Como você concilia ser uma mulher empresária na área de catering, as outras atividades profissionais, e ser mãe?
A gente tem que se virar. Sempre gostei de cozinhar, paixão herdada de família. Percebia por experiência que a hora da alimentação nos sets de filmagens, tanto de cinema como de publicidade, sempre era um problema para as produções. Resolvi unir o útil ao necessário. Senti que havia espaço no mercado brasileiro para a abertura de um catering especializado na produção de alimentação em sets de filmagem. Estou um pouco afastada agora por causa do teatro mas retomo em breve. Amo poder fazer mimos para a equipe, que sempre trabalha muito duro e este é o momento onde a equipe relaxa, se une e precisa ser bem alimentada e tratada com carinho.


Meu lado "produtora" sempre me cutuca. Adoro a área de produção de cinema e teatro. Catering é um braço da produção e hoje em dia já se assume que é essencial para o andamento da produção toda. A gente alimenta não só barriguinhas. A gente alimenta um time que tem que estar bem para jogar junto e aguentar as horas exaustivas e longas das produções. Catering exige uma logística insana e muito séria. Não é só comida, não é restaurante ambulante. Exige muito conhecimento tanto do lado de produção como pela manutenção e transporte dos alimentos. Filmar em locação, no meio do mato, no meio da rua, dificulta e é um desafio constante. Gosto muito. Mas fica difícil fazer tudo né?


Você hoje faz mais teatro do que televisão. Porquê?
Questão de oportunidade. Adoraria fazer mais televisão. Mas os produtores de elenco e diretores de televisão raramente vão ao teatro... Você faz televisão se estiver na mídia, e só fica na mídia se estiver fazendo televisão. Uma loucura, mas é assim mesmo. Já foi ao contrário. Eu fazia mais televisão. Aí viajei e tenho que voltar. Voltar aos 49 (anos) do segundo tempo não é mole. Mas acredito que o fato de estar fazendo tantas peças, eu consiga retornar. Gosto muito de TV também, e já fiz de quase tudo, apresentei programas, produzi, fiz jornalismo, trabalhei em meu próprio programa, novelas , mini séries. OHHHH GENTE VOLTEI


Você estreou essa semana a peça "Os Inimigos não Mandam Flores". Conta um pouco...
Fui convidada pela Diretora Maria Pia Sconamiglio, mas quem me indicou foi o Anselmo Vasconcellos, meu amigo de muitos anos mas nosso primeiro trabalho juntos. Quando li o texto já sabia que era prá mim mesmo. Adoro a "Silvia " , foi doloroso o 'nascimento' dela, ela é muito diferente de mim, não temos nada em comum, então 'dar passagem' à ela foi um processo de busca interior e dedicação intensa.

Eu já havia feito uma peça do Pedro Bloch no início da carreira, "Dona Xepa" adoro o Pedro Bloch. Poder resgatar esse autor tão importante me deixa muito honrada. O Bloch é de extrema importância para a dramaturgia brasileira e merece mais reconhecimento.

Seu recado, frase, conselho, para as mulheres Inteirativas desse blog:
É preciso estarmos sempre preparadas para nos re-inventar. Colar os caquinhos e fazer de nós mesmas um maravilhoso mosaico. Somos o que escolhemos ser.


INIMIGOS NÃO MANDAM FLORES

Teatro Solar de Botafogo

Sexta e sábado às 21h30 e domingo às 20h30

Entrevista com Lia Rodrigues


Nossa entrevistada é a coreógrafa e diretora da Lia Rodrigues Companhia de Danças, Lia Rodrigues.

Lia é paulista, mas mora no Rio de Janeiro, foi criadora e diretora artística do Festival Panorama de Dança, com produções nacionais e internacionais de dança contemporânea, ex-bailarina, já conquistou o prêmio de melhor coreógrafa em 1993, conferido pela Funarte.

Dançou com a coreógrafa Maguy Marin, na França e, de volta ao Brasil, fundou sua companhia em 1990 que hoje tem um total de vinte e três pessoas, entre funcionários e bailarinos e vem se apresentando nos principais teatros e festivais do Brasil, Europa e Américas do Sul e do Norte.

No galpão de 1200 m², que estava totalmente abandonado, e que foi reformado, em parceria com a Redes de Desenvolvimento da Maré, para abrigar um centro cultural, localizado na favela Nova Holanda, Maré, onde vivem 144 mil habitantes, é onde Lia ensaia e onde desenvolve um projeto artístico pedagógico com aulas de dança gratuitas.

Para essas atividades a Lia Rodrigues Companhia de Danças conta com parcerias importantes: Petrobras e Teatro Jean Vilar de Vitry, na França.

Entre uma viagem, uma aula, uma reunião e tarefas de casa, Lia respondeu nossas perguntas por email.

Inteirativa: Como funciona seu Centro de Artes da Maré?

Lia: O Centro de Artes da Maré é uma parceria da Companhia com a Redes de Desenvolvimento da Maré. Encontramos um grande galpão, fechado por muitos anos, e desde janeiro deste ano estamos reformando e fazendo melhorias. É lá que a companhia ensaia todos os dias, dá aulas para a comunidade e é lá também que várias atividades da REDES acontecem. É um lugar de partilha, convivência e de troca de saberes, direcionado para a formação, criação, difusão e produção das artes.

Inteirativa: Por que vc escolheu esse local?

Lia: Para criar a possibilidade do encontro da dança contemporânea com pessoas que não tem nenhum acesso a essa forma de expressão. Em 2003, Silvia Soter (dramaturga da companhia há 7 anos) me apresentou o trabalho da REDES, na Maré. Desde então a Companhia vem realizando diferentes ações tanto artísticas quanto pedagógicas. Nesses tempos em que mais e mais muros e grades são construídos, fronteiras são impostas e rigorosamente defendidas, propomos fazer o movimento contrário. Propomos mergulhar nesse espaço. Conviver em contato com outra realidade e descobrir novas formas de compartilhar e criar. E a resposta se constrói no dia a dia.

Inteirativa: Qual o impacto desse trabalho na comunidade da Maré?

Lia: O projeto que a Companhia desenvolve busca, antes de tudo, a qualidade e não a quantidade. Desde 2008 contamos com a parceria da Petrobras para a manutenção da companhia e também para o desenvolvimento do projeto 'Dança para todos' onde oferecemos aulas de consciência corporal, dança contemporânea e dança criativa para crianças. Temos uma média de 70 alunos. A Companhia também tem, entre seus integrantes, jovens dessa comunidade que fizeram formação universitária em dança, e agora integram o nosso quadro de artistas - bailarinos.

Inteirativa: Como ele é divulgado lá fora?

Lia: A Companhia está fazendo 20 anos em 2010. Já apresentamos nossas criações em vários países e é sempre uma oportunidade para falarmos sobre o que fazemos e pensamos. Esse ano ganhamos mais um parceiro: a Fundação Prince Claus da Holanda.

Inteirativa: Vc acha que o público brasileiro já está mais habituado com a linguagem da dança contemporânea? Isso evoluiu?

Lia: O publico brasileiro nunca foi um problema. O problema é a falta de um programa efetivo e consistente, por parte das instituições federais, municipais e estaduais, para a dança aqui no Brasil.Editais não configuram um verdadeiro programa.

Inteirativa: Os críticos elogiam bastante o seu trabalho, como o público tem recebido?

Lia: Tenho criticas boas e ruins também. Faz parte e é super saudável a diferença de ponto de vista. A receptividade do publico é sempre generosa, mas isso não quer dizer que todos gostem do trabalho. O importante não é gostar ou não gostar, mas sim, entrar em contato com o que está acontecendo na cena e ser afetado por isso.

Inteirativa: Como é a preparação de seus bailarinos?

Lia:Trabalhamos de segunda a sexta das 9hs às 16h. Temos aulas de técnicas diversas, ensaiamos o repertório da companhia, trabalhamos em pesquisa e improvisação.

Inteirativa: Quais os temas que despertam seu interesse para a criação das suas coreografias?

Lia: Os mais diversos. Trabalhamos algumas vezes com encomendas. Isto é, somos convidados para criar um trabalho com um tema específico como foi o caso de uma coreografia para o projeto “Fábula de la Fontaine” ou “Hymnen” para o Ballet de Lorraine , ambos na França. Outras vezes é um caminho árduo descobrir o que desejamos e precisamos falar. E então, os temas são fruto de nossas conversas e improvisações, como “Aquilo de que somos feitos”, “Formas breves” e “Encarnado”.

Inteirativa: Qual seu próximo espetáculo no Brasil e no exterior?

Lia: Estamos preparando um novo trabalho para estrear na França em novembro desse ano e aqui no Brasil no inicio de 2010. Ainda estamos em processo de criação. É uma peça para 11 bailarinos.

Inteirativa: Você dança, produz, coreografa, administra a cia, os 3 filhos. Há tempo para vida pessoal? Relacionamentos?

Lia: Vou tentando equilibrar o tempo ... e acordo bem cedinho.


Fotos Leandro Pimentel,Tatiana Altberg e Sammi Landweer

Entrevista com Dedina Bernardelli


Carioca, filha de italianos, começou no teatro com uma peça de Jorge Amado: Capitães de Areia. Na TV estreou na novela Transas e Caretas, trabalhou em Roque Santeiro, Sálomé, Paraíso Tropical, Malhação. Na Rádio Globo participou do programa diário “Amigas Invisíveis”.

Em 2003 recebeu um Kikito como melhor atriz com o curta metragem Jonas, de Allan Sieber.

No momento Dedina é protagonista de três filmes em cartaz e foi para Cannes com "No meu lugar". Já postamos o trailler do filme Adágio Sostenuto. O curta “Paixão” estreia agora em julho.

Inteirativa: Como foi passar pelo tapete vermelho de Cannes?

Dedina - Foi bem curioso, para não dizer engraçado. Aquilo é uma feira de vaidades e nossos egos acabam entrando em ebulição se não nos controlarmos. O que acontece em Cannes é que todos querem estar no tapete, na festa, na foto e acabam se relacionando muito pouco.Agora, existe uma coisa impressionante que é o mercado de filmes que acontece embaixo do "Palais". Ali é o mercado de compra e venda de filmes do mundo inteiro. Ali acontecem os negócios.

Inteirativa: Como o filme foi recebido lá?

Dedina - Foi super bem recebido, a sala estava lotada e todos aplaudiram de pé. Estávamos lá eu, Eduardo Valente, diretor de "No Meu Lugar" e o coroteirista Marco Dutra.

Inteirativa: Adágio Sostenuto é um filme que nos leva a uma grande reflexão, fazê-lo me pareceu requerer um trabalho imenso também, muita dedicação e deve ter sido muito difícil a filmagem porque você não contracena com ninguém. Como foi seu preparo e as filmagens?

Dedina - A preparação foi bem rigorosa. Pompeu, o diretor, tratou o roteiro como uma partitura, portanto devíamos fazer o texto caber nas frases musicais. Primeiro nos preocupamos com os tempos. Eu escutava as árias musicais e fazia o texto caber dentro delas. Deveria ser preciso, como uma pauta musical, como se minha voz fosse um instrumento. Depois numa segunda etapa começamos a buscar a naturalidade dentro dessa forma. Este processo de ensaio durou quase três meses. Como um ensaio de orquestra.

Inteirativa: Dedina, você acha que ainda há um certo preconceito terceiro mundista de alguns críticos em relação ao cinema nacional? Porque alguns destes críticos enaltecem algumas produções internacionais comerciais e detonam filmes brasileiros, genuinamente nacionais. Qual foi a sua reação diante de algumas críticas mais ácidas ao seu último filme?

Dedina - Eu considero importante a crítica, adoro ser criticada até porque antes de todos sou minha maior crítica. Acho importante entender como os outros veem o resultado de um processo que só quem participou consegue ter uma dimensão maior. Quanto ao Adágo achei curioso e fascinante, porque havia críticas terríveis e outras apaixonadas. Então considero isso um elogio. Obras complexas são assim, não devem agradar a todos até porque o objetivo não é agradar e sim buscar uma reflexão e discussão do tema. Acho que o Adágio Sostenuto de Pompeu Aguiar cumpre seu objetivo.Tem um roteiro requintado, belíssimo. Recebeu premio de melhor roteiro no festival de Los Angeles em 2008, recebemos também pelo meu trabalho premio de melhor atriz no festival de Sergipe em 2008. Digo recebemos porque considero que os prêmios são da equipe O resultado de meu trabalho depende do diretor, do roteirista, do fotógrafo, do maquiador, do assistente de direção, e por aí vai. Estamos todos juntos a serviço do filme.

Inteirativa: A fase de divulgação dos filmes também é de muito trabalho. Como faz para conciliar sua vida pessoal, cuidar das meninas, marido, gatos, casa em Araras e ainda viajar a trabalho?

Dedina - Acho que as coisas vão se ajeitando. Sou bastante dedicada a minha família, portanto quando preciso tempo para meu trabalho todos vão tendo que se adaptar. Não é fácil não, porque desligar completamente só consigo quando estou atuando, o resto do tempo fico administrando a família através do telefone. Talvez seja um tanto controladora, mas como não tenho parentes que me ajudem, fora é claro o Zé meu marido, tenho que ser meio mulher com visão de raio x e bola de cristal, antecipando os problemas para não ser pega de surpresa no trabalho e assim poder contornar as situações. Por exemplo. quando fui a Cannes a Teresa, minha filha de 8 anos ficou com febre de 40 graus e é claro, carente. O que fazer? Da França fiquei conversando com ela pelo skype até ela adormecer e se sentir segura. Assim a gente vai se ajeitando.

Inteirativa: Além de atriz vc é cantora, tem algum projeto novo?

Dedina - Estou sempre brincando de cantora. Domingos quer voltar com o Cabaré que fazíamos e o Aroeira está tentando me convencer a fazer um show. Quem sabe?

Inteirativa: Qual seu próximo projeto no teatro, TV ou cinema?

Dedina - Bem, começo a filmar na segunda metade de julho um longa metragem de Marcelo Taranto, "Ponto Final". Na segunda metade do ano, provavelmente em novembro, será o lançamento do filme de Eduardo Valente. "No Meu Lugar". E é possível que estreiemos em São Paulo também na segunda metade do ano a peça "Largando o Escritório" de Domingos de Oliveira.

Fotos Arquivo pessoal