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maio 21, 2009

Separação e o foco da dor


Sempre que me envolvo em conversas sobre separações ouço versões, ou simplesmente vivencio. Mas penso que a maioria de nós mulheres foca errado a sua dor.
Como assim? Não me joguem pedras, calma, que explico meu ponto de vista.

A separação é sempre dolorida (com raríssimas exceções), porque uma das partes resolveu sair da história conjunta. A dor maior, que nos machuca, tira o chão, destrói o sonho, é que o outro não nos ama mais. Ou então se desapaixonou.
Daí, é que vem meu ponto de vista: porque precisamos buscar um culpado? E porque, geralmente buscamos a outra pessoa escolhida pelo nosso amor?
O problema não é a outra pessoa escolhida, é a nossa pessoa escolhida que não nos quer mais.
Não importa se a outra tem a metade ou o dobro da nossa idade, se é mais bonita, mais feia, mais isto ou aquilo. Ou ainda se é um outro.

Este foco numa outra pessoa que acaba recebendo nossa raiva, elocrubrações e até ódio, acaba tirando o foco do real fim da nossa relação com o outro. E também distorce a análise e superação do grande problema que estamos vivendo.Ouvi uma vez este comentário de um terapeuta e guardei e apliquei em minha vida quando o momento chegou. Juro, por tudo que é mais sagrado, que a gente consegue viver uma separação mais inteira e sem intervenções de vários tipos, torcidas contra e a favor, se a gente focar em si e no parceiro.

Esquecer que possa haver outra pessoa, nos faz mergulhar profundamente entre os dois amores que agora não são mais. Nos faz viver a tristeza com mais clareza e objetividade - mesmo que quase impossível, mas possível se quisermos de coração. Sim, este coração que agora está destruído, mas que voltará a tremer e se apaixonar.

É uma escolha menos "sociedade em geral" e mais somente "nós dois".

Penso que desta maneira, sem culpar um terceiro e olhando com olhos bem abertos pra dentro de nossa relação, podemos descobrir, aonde foi que o cristal quebrou e que começamos a remendar pedaços de vidro que um dia se espatifaram...ou não, como diz o Caetano.
O que quero falar aqui, é que é importante viver a relação a dois, pelos dois até a última gota. Tentando deixar de fora as terceiras pessoas e a coletividade, muitas vezes erradamente cruéis com quem não tem nada a ver no assunto.
Tema delicado eu sei, mas que penso ser de importância para se tocar e debater. Pois, é na busca por novas maneiras de amar e se separar que podemos ser mais inteiras e menos "madalenas arrependidas".

Quem sabe um dia, possamos sair da vida de alguém da mesma maneira como entramos, com delicadeza.

4 comentários:

Mariangela Buchala disse...

as separações de qquer espécie são doloridas por causa dos apegos. Esquecemos a experiência do fato.
A dor é inevitável, mas o sofrimento não. Mas são palavras difíceis de serem aplicadas.

Anônimo disse...

Realmente Mariangela,"são palavras dificies de serem aplicadas" mas não custa nada lembrar o que Grazzi tenta nos mostrar.

Mariangela Buchala disse...

Anônimo, as palavras difíceis são as minhas de q o sofrimento pode ser evitado. O texto da Grazi está claro e super amoroso com o tema.

E o pior de tudo isso Grazi, é qdo sabemos q a separação é o melhor para todos e não temos a coragem de fazê-lo.

Mônica Angeleas disse...

Grazi, vc tem toda razão. O foco é o que nós fizemos ou deixamos de fazer para acabar a relação. E é isso que importa. Por quem, com quem, se foi por uma mulher ou por um homem, nada é relevante.
Nosso papo de ontem rendeu.... Adorei!!!
Bjs.