Dedicado às mulheres inteiras e ativas de todas as idades, cores e formas. Mulheres que interagem e abraçam a vida como der, puder e vier.
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abril 22, 2009

Radiola portátil vermelha


22/04/09

Sônia Araripe

Na minha infância - para o bem, ou para o mal - não havia babá eletrônica. Nem computador, nem internet, nem TV a cabo, nem coisa alguma. Ah, tinha TV, mas era tão chato que só assistia mesmo o essencial. E tinha rua. Grandes brincadeiras soltas na rua. Babá mesmo era a verdadeira, em carne em osso. A minha chamava-se Marlene. Era de .... Cachoeiro de Itapemirim!

E aí fui me apaixonando por Roberto Carlos. Era a babá no céu, Roberto Carlos bem longe do inferno e todos nós cantando. No quartinho, porque os pais queriam descansar depois de um dia inteiro de trabalho. Ou, suponho eu, não queriam mais ver criança pulando com música de iê-iê-iê de noitinha.

A radiola da Marlene era vermelha, portátil. A gente abria e tocava os LPs. E tinha os menores também.... Como se chamavam, Angel? Roberto era garotão. Eu nunca achei lá estas coisas, mas a babá era fanática. Lindooo! Maravilhosooooo, dizia a minha lindinha.

Tocava naquela época os best-sellers da Jovem Guarda. Tinha a Wandeca, o Tremendão, a turma toda. Vejam aí a foto que não me deixa mentir. Notem o detalhe das unhas de Wanderléa! Vejam bem... A Marlene se vestia bem parecido. Uma fofa. Quase morri quando ela deixou de trabalhar e foi casar. Chorava dia e noite. E cantava RC baixinho, na cama, lembrando da babá...devia ter uns oito anos, por aí.

Os anos se passaram, acompanhei os filhos de Marlene crescendo, bem de vida. Voltou para Cachoeiro. E Roberto passou a fazer parte da minha vida. Assisti vários shows, cantei várias músicas. O último show foi o do Municipal, com Caetano. Lindo de morrer! Marlene, deu saudades. Abaixo o computador e a NET! Bom mesmo é babá de verdade. Se for de Cachoeiro, então, Marília, não tem igual!


p.s. Criança tem sempre razão! O meu de 13 anos fez uma pergunta danada hoje: ontem, dia 21, foi feriado por conta de Tiradentes (justo, argumentou), amanhã, dia 23, também será feriado por causa de São Jorge (vai lá, comentou), mas como é que hoje, dia 22, Descobrimento do Brasil não é feriado? Está certo, meu jovem futuro vereador preferido! Certíssimo!

5 comentários:

Anita disse...

Quanto menos eletrônico melhor pras crianças. Seu filho e' espertíssimo, Sonia. Feriado religioso, que coisa nao ? Minha mae tb e fa do RC, que ela chama de "Robertinho". Oooo, baba de garras compridas ! E aina por cima fa de RC. Fica no imaginário de uma menina de 8 anos pra sempre.

Anna Isabella Mignone disse...

Sonia, acho que o charme do mundo é que os que vibram da mesma forma acabam se esbarrando, cedo ou tarde. A internet facilita, e muito,isto. A minha babá chamava-se Irene,não era de Cachoeiro, mas tb deixou saudades e saiu para casar( com nosso tintureiro). A trilha musical de minhas lembranças com ela é, obviamente, do Caetano.Bjs.

Maria Lúcia Poyares disse...

Soninha, minhas lembranças, bem mais antigas,não são de babás e sim "das agregadas às familias nordestinas" que nos contavam historinhas de fadas e principes encantados.
E eu, que não gosto de sentir "saudades", ao ler seu texto fiquei tocada.
Anita tem razão... não se apaga do imaginário e é bom, neste caso, recordar.
Quanto ao seu menino, gostei, é meu candidato.

Mônica Angeleas disse...

Soninha, o nome do disco pequeno era/é "Compacto", lembrou?
Vc esqueceu de quem eu mais gostava, (ui, que vergonha....), sabe de quem?? Jerry Adriani. rsrsrsrs

Soninha disse...

Nossa! Jerry Adriani! Atualíssimo! Isso, compactos. E mais para trás tinham uns coloridos, de histórias infantis, lembra-se destes? Maria Lúcia, tivemos nossa fase das agregadas nordestinas também... depois nos mudamos para Recife e foi uma delícia por três anos. Anita, nem fala, nem fala. Aquelas garras são mesmo incríveis. Anna Isabella, imagino... Caetano na trilha musical. Genial!